Minha cabeça, essa máquina de fabricar paranóias.

Nunca tive medo de avião.
Não rezo nenhuma Ave Maria, nenhum Pai Nosso e não seguro a mão de ninguém.
Gosto da subida, gosto da descida e até a turbulência acho que tem seu charme.
Mas claro, não sou tão corajosa assim.
Um dos meus maiores pânicos é ser chamada na cabine antes do avião decolar.
Começo com o mantra antes do embarque.
Parece que tô rezando, mas tô entoando:
Tomara que não me chamem.
Tomara que não me chamem.
Tomara que não me chamem.
-Francine Bittencourt, por favor identifique-se a um dos nossos funcionários, imediatamente.
-I-M-E-D-I-A-T-A-M-E-N-T-E.
Desmaio antes.
Deus me livre, não tenho estrutura para isso.
Coisa boa nunca é né?
Já acho que colocaram droga na minha mala e eu vou pegar prisão perpétua injustamente.
Vou passar a vida tentando provar minha inocência.
Minha família vai ter que gastar todo dinheiro que não tem para tentar me salvar…
Aos 80 anos vou lançar um livro contando a injustiça e vai fazer muito sucesso.
Talvez o Netflix compre a história e vire série…
Em seguida vou morrer.
Quando começa aquele barulhinho de que alguém vai ser chamado eu imagino “meu fim” em segundos.
Mas nunca sou eu, graças a Deus.
– Srta Morgana Flores, identifique-se a um dos nossos funcionários, imediatamente.
A pessoa chamada passa por mim e eu penso: tadinha, que destino mais triste…
Mas antes ela do que eu.
Prefiro que o avião caia do que me chamem na cabine.